sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sessão pública em comemoração do 2.º centenário do nascimento de Alexandre Herculano


No ano em que se comemora o 2º centenário do nascimento de Alexandre Herculano, o CIEC e o CLP promovem uma sessão comemorativa, incidindo sobre a dimensão simbólica e cívica da Obra e do Escritor.

A sessão terá lugar no dia 5 de Novembro de 2010 (sexta-feira), pelas 10h, na Sala do CLP (7.º Piso, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra).

Estão previstas as seguintes intervenções:


  • Ofélia Paiva Monteiro – “O épico Camões na visão romântica de Herculano”
  • Fernando Catroga – “O patriotismo cívico em Alexandre Herculano”
  • José Carlos Seabra Pereira – “A recepção de Herculano no advento da República”
  • Alexandre Ramires – “O 1º centenário de A. Herculano em Coimbra”

O Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos e o Centro de Literatura Portuguesa terão muito gosto em contar com a vossa presença.


Fonte: HistPort






terça-feira, 26 de outubro de 2010

Um duplo centenário




por MÁRIO SOARES
Diário de Notícias

26 Outubro 2010


3. A Academia das Ciências de Lisboa resolveu festejar, em boa hora, o duplo centenário do nascimento do insigne historiador, romancista, poeta e combatente liberal Alexandre Herculano, Nasceu a 18 de Março de 1810, em Lisboa, no antigo Pátio do Gil, na Rua de São Bento, e faleceu na sua célebre Quinta de Vale de Lobos, perto de Santarém, a 13 de Setembro de 1877. Bulhão Pato, poeta romântico, amigo e admirador de Herculano, conta nas suas interessantes Memórias a morte de Alexandre Herculano, a que assistiu, e a enorme emoção que provocou na sociedade portuguesa.

Herculano foi um homem de grandes convicções liberais. Daí que tenha combatido as tropas absolutistas de D. Miguel e tenha sido forçado a exilar-se na Galiza (1828) e, mais tarde, em França e Inglaterra. Foi um dos 7500 "Bravos do Mindelo", vindos dos Açores (Terceira) para derrotar D. Miguel, sob o comando de D. Pedro, que abdicou de imperador do Brasil, para defender sua filha e herdeira, D. Maria II. Durante o cerco do Porto, foi nomeado bibliotecário da Biblioteca do Porto, tendo regressado a Lisboa depois da vitória liberal de Évora Monte e a abdicação de D. Miguel (1834). Alexandre Herculano foi um partidário da Carta Constitucional, outorgada por D. Pedro. A Revolução de Setembro (1836) aboliu a Carta, substituída legitimamente, após eleições, pela Constituição de 1838. Herculano, cartista, escreveu contra os setembristas, dos irmãos Passos Manuel, um folheto intitulado "A voz do Profeta".

Dirigiu então a Revista Panorama, de literatura e história, editada pela Sociedade Portuguesa dos Conhecimentos Úteis. Foi depois nomeado director da Biblioteca da Ajuda, onde realizou um trabalho notável de investigação.

Escreveu, incansavelmente, livros como: Cartas da História de Portugal, que precedeu a sua História de Portugal, infelizmente incompleta, romances históricos, como o Monge de Cister, o Bobo e Eurico, o Presbítero, Lendas e Narrativas e o livro de poesia A Harpa do Crente, etc. E um livro com enorme repercussão: História da Inquisição em Portugal, que lhe valeu uma polémica vigorosa com a Igreja. Publicou então três Opúsculos importantes: Eu e o Clero; Considerações Pacíficas; e Solemnia Verba. E ainda um estudo sobre o seu muito admirado Mouzinho da Silveira.

De 1853 a1854, percorreu os arquivos do Norte do País, a examinar documentos de interesse histórico, dispersos, para os compilar na Portugaliae Monumenta Historica. Exerceu então um trabalho de grande relevo para o estudo do nosso passado histórico, que mereceu a admiração do país culto.

Foi ainda uma espécie de tutor cultural do rei D. Pedro V, do qual esperava muito, mas que morreu muito jovem. Constituiu, essa morte, um grande desgosto para Alexandre Herculano. Teve, também um incidente na Academia das Ciências, com um funcionário acusado de desviar documentos. O que levou o Governo de então, hostil a Herculano, a nomear esse funcionário director da Torre do Tombo, impossibilitando assim as investigações de Herculano.

Por isso, desgostoso, retirou-se para a pequena Quinta de Vale de Lobos, com o seu enorme prestígio moral, literário e de historiador, no auge. Faleceu em Vale de Lobos e mais tarde foi trasladado para os Jerónimos, onde repousa, perto de Camões e agora de Fernando Pessoa. Todos, grandes glórias pátrias.

Na minha juventude, estudávamos muito a obra de Herculano. Cito, entre tantos outros, os livros de Joaquim Barradas de Carvalho: As Ideias Políticas e Sociais de Alexandre Herculano; e de António José Saraiva: Herculano, desconhecido. Para já não falar, entre outros, dos ensaios inesquecíveis de António Sérgio e de Vitorino Nemésio.

A Academia das Ciências - e o seu presidente, Adriano Moreira - está de parabéns por ter organizado um colóquio, que teve intervenções notáveis, sobre Alexandre Herculano e a sua obra, no ano do duplo centenário do seu nascimento. Não podia ser esquecido. A Pátria e a República devem celebrar os seus grandes homens.



Fonte: DN




quarta-feira, 20 de outubro de 2010

BICENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE HERCULANO COMEMORADO PELA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS


A Academia das Ciências de Lisboa promove no dia 21 de Outubro, a partir das 10 horas, no Salão Nobre, uma sessão comemorativa do bicentenário do nascimento do escritor e historiador Alexandre Herculano.

Durante a manhã, depois de um discurso de abertura do Presidente da ACL, Prof. Doutor Adriano Moreira, haverá conferências a cargo dos académicos Luís Oliveira Ramos (“Herculano e os grandes movimentos políticos coevos”), Maria Helena da Cruz Coelho (“Herculano e os Portugaliae Monumenta Historica”) e Artur Anselmo (“Herculano polemista”).

À tarde, usam da palavra os académicos Humberto Baquero Moreno, António Dias Farinha e Raul Rosado Fernandes, que dissertarão sobre, respectivamente, “Herculano historiador”, “Herculano e os árabes” e “Herculano lavrador”.


Fonte: ACL

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Poema

Como um Catão moderno, austero e rude,

a ninguém perdoaste uma só falta,

porquanto foste um caso de virtude

e de moralidade sempre em alta!



Ouvia-te o país desgovernado

com reverência e a máxima atenção,

buscando em ti, no teu pendor honrado,

para o seu descalabro a solução.



De estilo vigoroso e justiceiro,

tanto na prosa como em poesia,

do romantismo foste um pioneiro.



Ante a tua memória me descubro

com minha inalterável simpatia

e meu patriotismo posto ao rubro!



João de Castro Nunes


Fonte: HistPort




domingo, 26 de setembro de 2010

Próximos eventos

Dia 4 de Outubro
HERCULANO – DOIS SÉCULOS DE MUTUALISMO

(Auditório do Montepio – Rua do Ouro) – 18H
António Valdemar, Guilherme de Oliveira Martins, Vítor Melícias

Dia 12 de Outubro
HERCULANO MAÇON

(Grémio Lusitano – Bairro Alto) - 18H30
João Alves Dias

Dia 19 de Outubro
HERCULANO NA LITERATURA PORTUGUESA E A DIMENSÃO
ÉTICA DO ESCRITOR

(Centro Nacional de Cultura – Chiado) – 18H30
José Manuel Mendes

Dia 26 de Outubro
A CONSCIÊNCIA POLÍTICA DE ALEXANDRE HERCULANO
E O SEU CONTRIBUTO PARA A CIDADANIA

(Café Martinho da Arcada – Praça do Comércio) – 19H30
Diogo Freitas do Amaral, Eduardo Lourenço e Guilherme de Oliveira Martins

Moderadores: António Valdemar, José Manuel Mendes, Luís Machado



Fonte:

CNC

Homenagem a Alexandre Herculano


Há cem anos, foi assim em Leiria:

«O dia 27 [de Abril] deve considerar-se memoravel nos registos festivos d’esta cidade, pelo esplendor, pela animação e, sobretudo, pela elevada significação civica e patriotica das festividades promovidas pela benemerita Filial da Liga Nacional de Instrucção de Leiria em consagração do renome do grande escriptor, profundo historiador e devotadissimo português que em vida se chamou Alexandre Herculano.

Pode orgulhar-se a nossa bella cidade de ter contribuido brilhantemente para a apotheose da majestosa individualidade do poetta da “Harpa do Crente”, para essa nobilitante glorificação nacional que acaba de se celebrar em todo o país como testemunho de culto fervoroso á memoria do ardente defensor da liberdade, que foi também o português mais illustre do seculo XIX» (Jornal “O Districto de Leiria”, 30 de Abril de 1910).

Comemorava-se então o primeiro centenário do nascimento de Alexandre Herculano e Portugal devotou ao seu brilhante historiador amplas emocionantes homenagens.

Leiria não se deixou ficar para trás e dedicou a Alexandre Herculano um dos mais grandiosos festejos que nesse ano se realizaram a nível nacional.

Lançou e dirigiu a iniciativa a delegação de Leiria da Liga Nacional de Instrução. Um «Cortejo Cívico» percorreu a cidade, a partir da Praça Rodrigues Lobo, composto de dez carros alegóricos, três bandas filarmónicas, alunos de quase todas as escolas públicas e privadas do concelho, as principais associações, os bombeiros, a polícia e os corpos militares. Descerrou-se uma placa na parede do já demolido Teatro Maria Pia, projectada por Ernesto Korrodi, no Largo do Espírito Santo que se passou a chamar Largo Alexandre Herculano, num acto público em que intervieram o Governador Civil e o Presidente da Câmara. No salão e corredores do teatro foi oferecido um lanche a um milhar de crianças acompanhadas pelos seus professores. À noite, no mesmo teatro houve uma Sessão Solene. No palco estava um trono com quatrocentas crianças e um busto de Alexandre Herculano que será o mesmo que actualmente se conserva no Arquivo Distrital de Leiria. Fizeram-se comovidos e corajosos discursos de enaltecimento da figura de Alexandre Herculano e de elogio ao seu civismo e aos seus ideais de liberdade. A sessão terminou com um sarau abrilhantado pela banda militar e pelo orfeão infantil. No dia seguinte, no Liceu, realizou-se outra sessão solene. No palco estava um monumento desenhado por Ernesto Korrodi que se compunha de um medalhão em baixo-relevo com a figura de Alexandre Herculano e um obelisco em bronze que se elevava quase até ao tecto. Na mesa de honra estava o reitor do Liceu, o Director da Escola Normal e o Governador Civil. Houve discursos e palestras, uma das quais proferida pelo Dr. Correia Mateus, professor de História e presidente da câmara.

Cem anos depois, noutro ambiente cultural e num contexto histórico bem diferente do de 1910, Leiria também não esqueceu Alexandre Herculano, mesmo que o 2.º centenário do seu nascimento tenha sido quase geralmente olvidado e obnubilado pelo centenário da implantação da república.

Sexta-feira, dia 17 de Setembro, pelas 18 horas, o Centro de Património da Estremadura e o Arquivo Distrital realizam um colóquio evocativo de Alexandre Herculano.

Presidido pelo Dr. Guilherme de Oliveira Martins, permitirá abordar, em termos puramente historiográficos, as múltiplas facetas e actividades de Alexandre Herculano (historiador, paleógrafo, bibliotecário, poeta, romancista, contista, jornalista, político, agricultor).

O evento decorre no edifício do Arquivo Distrital de Leiria e é aberto a todos os interessados. Esperemos que em 2010 a população de Leiria não esqueça Alexandre Herculano e que depois do colóquio a cidade e o seu município levem mais longe o seu preito de homenagem ao ilustre escritor e insigne cidadão, um dos maiores que esta Pátria gerou. Uma das ideias possíveis pode ser a colocação de um busto em bronze no largo que tem o seu nome. A antiga placa desenhada por Ernesto Korrodi aguarda um lugar mais digno do que o chão do castelo onde agora repousa, abandonada…

Mário Rodrigues

Diário de Leiria
17 de Setembro de 2010