Colóquio Comemorativo do Bicentenário do seu Nascimento
“A impressão de um ser extraviado em época que
não era a sua época; a sensação de bólide de outra
atmosfera moral caindo na crusta amolengada do
Portugal dos novos tempos, é a dominante nos que
o viram. E ficavam quase sempre siderados,
atónitos, num estado de choque fronteiro entre a
admiração e a angústia.
«Ao vê-lo na cidade trajando descuidadamente», diz
Oliveira Martins, «caminhar com o seu passo
regular e concentrado, ao ouvir a sua palavra chã,
rude e grosseira às vezes, o seu riso franco; ao observar
a ingenuidade quase infantil do homem justo e simples,
qualquer de nós pensava ter diante de si um exemplar
ainda vivo do português do princípio do século, isento
de modernismo.» (…)
É ainda Oliveira Martins que lhe chama «um D.
João de Castro da burguesia do século XIX»; e
Antero de Quental via na sua «fisionomia moral»
«certas linhas que fazem lembrar o perfil enérgico e
simples dos heróis típicos da nacionalidade
portuguesa. Pertencia a essa grande linhagem, que
acabou com ele».
Os contemporâneos e os que se criaram à sombra da
sua obra e dos seus actos não precisavam de
consultar-se para chegarem a este juízo.”
Vitorino Nemésio, A Mocidade de Herculano, 1.º vol., Lisboa,
Bertrand, 1978, p. 56.
19 de Novembro de 2010
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Anfiiteatro Nobre
Entrada Liivre
9h00 Recepção dos participantes
9h30 Abertura do Colóquio
10h00 Conferência de abertura. Ofélia Paiva Monteiro (Faculdade de Letras da U. de
Coimbra)
Herculano: da arte narrativa do ficcionista
10h30 Armando Luís de Carvalho Homem (Faculdade de Letras da U. do Porto)
Da Regeneração à República: para um perfil do «Historiador Português»
10h50 Maria João Reynaud (Faculdade de Letras da U. do Porto)
Herculano Poeta/Profeta
11h10 Ana Isabel Buescu (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da U. Nova de Lisboa)
Alexandre Herculano e a polémica de Ourique
11h30 Pausa
11h50 Pedro Vilas-Boas Tavares (Faculdade de Letras da U. do Porto)
Alexandre Herculano e o Antigo Regime: «pontes» de uma ruptura
12h10 José Adriano de Freitas Carvalho (Faculdade de Letras da U. do Porto)
Herculano, poeta religioso
12h30 Debate
Almoço
14h45 Abertura da Mostra Bibliográfico-Documental na Biblioteca da FLUP
15h15 Manuel Clemente (Bispo do Porto, U.C.P. / Centro de Estudos de História Religiosa)
Alexandre Herculano e o clero, ou o clero de Alexandre Herculano
15h35 Maria Fernanda Gil da Costa (Faculdade de Letras da U. de Lisboa)
Herculano tradutor e intérprete do Romantismo Europeu
15h55 Luís Cabral (Direcção Municipal de Cultura da Câmara Municipal do Porto)
Alexandre Herculano e a Biblioteca do Porto: um caso exemplar
16h15 João Francisco Marques (Faculdade de Letras da U. do Porto)
Herculano VS Padre vicentino Barros Gomes (história de uma polémica)
16h35 Pausa
17h00 Maria de Fátima Marinho (Faculdade de Letras da U. do Porto)
A falsa ingenuidade de Herculano
17h20 Debate
18h00 Encerramento
PROGRAMA