Memória do que se vai fazendo e escrevendo no 2.º Centenário do nascimento de Alexandre Herculano
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
BICENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ALEXANDRE HERCULANO EM PENELA

BICENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE ALEXANDRE HERCULANO
27 de Novembro
Salão Nobre dos Paços do Concelho - 16h00
Penela
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Edição comemorativa de "Eurico, o presbítero"

Segundo o escritor Vitorino Nemésio, citado pela editora, este é “um livro português de irradiação talvez só comparável à que Os Lusíadas conheceram, guardadas as devidas proporções do género, grandeza e lugar, na essência da nação, como vade-mécum dos seus filhos”.
Herculano foi em Portugal o introdutor do romance histórico, narrando neste título a triste história de amor de Hermengarda e de Eurico na Espanha visigótica do século VIII.
“A presente edição integral, comemorativa dos duzentos anos do nascimento do autor, conta com uma nota biográfica, uma panorâmica geral da obra do autor e uma análise de Eurico na produção literária de Alexandre Herculano. Inclui ainda apreciações críticas de Oliveira Martins e de Moniz Barreto”, segundo nota da editora.
(AC)
Fonte: HardMúsica
IFPI organiza Congresso sobre Alexandre Herculano
Sob a coordenação dos professores Hugo Lenes Menezes e Francisco José Sampaio Melo, o Instituto Federal do Piauí realiza, nos dias 11 e 12 de novembro, o Congresso Alexandre Herculano - Um Expoente da Cultura em Língua Portuguesa.
O evento será aberto à comunidade em geral e tem como objetivo prestar uma homenagem ao português Alexandre Herculano (1810 – 1877), autor do romance Eurico, o Presbítero, dentre outros trabalhos. Primeiro historiador científico em nosso idioma, Herculano destacou-se como poeta, contista, novelista, romancista e teatrólogo e é atualmente patrono de uma escola na cidade do Porto – Portugal, que oferece ensino técnico profissional.
No primeiro dia do congresso, acontecerá, às 18 horas, a conferência “Alexandre Herculano: um perfil”, com o professor Paulo Franchetti, da Unicamp. Haverá também o lançamento dos livros “Permanência criativa de Eça de Queirós”, de Francisco José Sampaio Melo, e “Representação e identidade cultural do vaqueiro no Cinema Novo”, de Halan Silva.
No segundo dia do evento, estão previstas, no turno da tarde, duas mesas-redondas sobre aspectos da produção literária de Alexandre Herculano: a primeira será Literatura e História, com o escritor Assis Brasil e o professor Cineas Santos; a segunda será “História e Paixão”, com os professores Hugo Lenes Menezes, Francisco José Sampaio Melo e Raimunda das Dores Santos. Finalizando o evento, acontecerá, às 18 horas, a conferência “Herculano Romancista”, com o professor Paulo Franchetti.
Fonte: 45 graus
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Revisitando Alexandre Herculano 1810 | 2010
Colóquio Comemorativo do Bicentenário do seu Nascimento
“A impressão de um ser extraviado em época que
não era a sua época; a sensação de bólide de outra
atmosfera moral caindo na crusta amolengada do
Portugal dos novos tempos, é a dominante nos que
o viram. E ficavam quase sempre siderados,
atónitos, num estado de choque fronteiro entre a
admiração e a angústia.
«Ao vê-lo na cidade trajando descuidadamente», diz
Oliveira Martins, «caminhar com o seu passo
regular e concentrado, ao ouvir a sua palavra chã,
rude e grosseira às vezes, o seu riso franco; ao observar
a ingenuidade quase infantil do homem justo e simples,
qualquer de nós pensava ter diante de si um exemplar
ainda vivo do português do princípio do século, isento
de modernismo.» (…)
É ainda Oliveira Martins que lhe chama «um D.
João de Castro da burguesia do século XIX»; e
Antero de Quental via na sua «fisionomia moral»
«certas linhas que fazem lembrar o perfil enérgico e
simples dos heróis típicos da nacionalidade
portuguesa. Pertencia a essa grande linhagem, que
acabou com ele».
Os contemporâneos e os que se criaram à sombra da
sua obra e dos seus actos não precisavam de
consultar-se para chegarem a este juízo.”
Vitorino Nemésio, A Mocidade de Herculano, 1.º vol., Lisboa,
Bertrand, 1978, p. 56.
19 de Novembro de 2010
Faculdade de Letras da Universidade do Porto
Anfiiteatro Nobre
Entrada Liivre
9h00 Recepção dos participantes
9h30 Abertura do Colóquio
10h00 Conferência de abertura. Ofélia Paiva Monteiro (Faculdade de Letras da U. de
Coimbra)
Herculano: da arte narrativa do ficcionista
10h30 Armando Luís de Carvalho Homem (Faculdade de Letras da U. do Porto)
Da Regeneração à República: para um perfil do «Historiador Português»
10h50 Maria João Reynaud (Faculdade de Letras da U. do Porto)
Herculano Poeta/Profeta
11h10 Ana Isabel Buescu (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da U. Nova de Lisboa)
Alexandre Herculano e a polémica de Ourique
11h30 Pausa
11h50 Pedro Vilas-Boas Tavares (Faculdade de Letras da U. do Porto)
Alexandre Herculano e o Antigo Regime: «pontes» de uma ruptura
12h10 José Adriano de Freitas Carvalho (Faculdade de Letras da U. do Porto)
Herculano, poeta religioso
12h30 Debate
Almoço
14h45 Abertura da Mostra Bibliográfico-Documental na Biblioteca da FLUP
15h15 Manuel Clemente (Bispo do Porto, U.C.P. / Centro de Estudos de História Religiosa)
Alexandre Herculano e o clero, ou o clero de Alexandre Herculano
15h35 Maria Fernanda Gil da Costa (Faculdade de Letras da U. de Lisboa)
Herculano tradutor e intérprete do Romantismo Europeu
15h55 Luís Cabral (Direcção Municipal de Cultura da Câmara Municipal do Porto)
Alexandre Herculano e a Biblioteca do Porto: um caso exemplar
16h15 João Francisco Marques (Faculdade de Letras da U. do Porto)
Herculano VS Padre vicentino Barros Gomes (história de uma polémica)
16h35 Pausa
17h00 Maria de Fátima Marinho (Faculdade de Letras da U. do Porto)
A falsa ingenuidade de Herculano
17h20 Debate
18h00 Encerramento
PROGRAMA
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Sessão pública em comemoração do 2.º centenário do nascimento de Alexandre Herculano
A sessão terá lugar no dia 5 de Novembro de 2010 (sexta-feira), pelas 10h, na Sala do CLP (7.º Piso, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra).
Estão previstas as seguintes intervenções:
- Ofélia Paiva Monteiro – “O épico Camões na visão romântica de Herculano”
- Fernando Catroga – “O patriotismo cívico em Alexandre Herculano”
- José Carlos Seabra Pereira – “A recepção de Herculano no advento da República”
- Alexandre Ramires – “O 1º centenário de A. Herculano em Coimbra”
O Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos e o Centro de Literatura Portuguesa terão muito gosto em contar com a vossa presença.
Fonte: HistPort
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Um duplo centenário

3. A Academia das Ciências de Lisboa resolveu festejar, em boa hora, o duplo centenário do nascimento do insigne historiador, romancista, poeta e combatente liberal Alexandre Herculano, Nasceu a 18 de Março de 1810, em Lisboa, no antigo Pátio do Gil, na Rua de São Bento, e faleceu na sua célebre Quinta de Vale de Lobos, perto de Santarém, a 13 de Setembro de 1877. Bulhão Pato, poeta romântico, amigo e admirador de Herculano, conta nas suas interessantes Memórias a morte de Alexandre Herculano, a que assistiu, e a enorme emoção que provocou na sociedade portuguesa.
Herculano foi um homem de grandes convicções liberais. Daí que tenha combatido as tropas absolutistas de D. Miguel e tenha sido forçado a exilar-se na Galiza (1828) e, mais tarde, em França e Inglaterra. Foi um dos 7500 "Bravos do Mindelo", vindos dos Açores (Terceira) para derrotar D. Miguel, sob o comando de D. Pedro, que abdicou de imperador do Brasil, para defender sua filha e herdeira, D. Maria II. Durante o cerco do Porto, foi nomeado bibliotecário da Biblioteca do Porto, tendo regressado a Lisboa depois da vitória liberal de Évora Monte e a abdicação de D. Miguel (1834). Alexandre Herculano foi um partidário da Carta Constitucional, outorgada por D. Pedro. A Revolução de Setembro (1836) aboliu a Carta, substituída legitimamente, após eleições, pela Constituição de 1838. Herculano, cartista, escreveu contra os setembristas, dos irmãos Passos Manuel, um folheto intitulado "A voz do Profeta".
Dirigiu então a Revista Panorama, de literatura e história, editada pela Sociedade Portuguesa dos Conhecimentos Úteis. Foi depois nomeado director da Biblioteca da Ajuda, onde realizou um trabalho notável de investigação.
Escreveu, incansavelmente, livros como: Cartas da História de Portugal, que precedeu a sua História de Portugal, infelizmente incompleta, romances históricos, como o Monge de Cister, o Bobo e Eurico, o Presbítero, Lendas e Narrativas e o livro de poesia A Harpa do Crente, etc. E um livro com enorme repercussão: História da Inquisição em Portugal, que lhe valeu uma polémica vigorosa com a Igreja. Publicou então três Opúsculos importantes: Eu e o Clero; Considerações Pacíficas; e Solemnia Verba. E ainda um estudo sobre o seu muito admirado Mouzinho da Silveira.
De 1853 a1854, percorreu os arquivos do Norte do País, a examinar documentos de interesse histórico, dispersos, para os compilar na Portugaliae Monumenta Historica. Exerceu então um trabalho de grande relevo para o estudo do nosso passado histórico, que mereceu a admiração do país culto.
Foi ainda uma espécie de tutor cultural do rei D. Pedro V, do qual esperava muito, mas que morreu muito jovem. Constituiu, essa morte, um grande desgosto para Alexandre Herculano. Teve, também um incidente na Academia das Ciências, com um funcionário acusado de desviar documentos. O que levou o Governo de então, hostil a Herculano, a nomear esse funcionário director da Torre do Tombo, impossibilitando assim as investigações de Herculano.
Por isso, desgostoso, retirou-se para a pequena Quinta de Vale de Lobos, com o seu enorme prestígio moral, literário e de historiador, no auge. Faleceu em Vale de Lobos e mais tarde foi trasladado para os Jerónimos, onde repousa, perto de Camões e agora de Fernando Pessoa. Todos, grandes glórias pátrias.
Na minha juventude, estudávamos muito a obra de Herculano. Cito, entre tantos outros, os livros de Joaquim Barradas de Carvalho: As Ideias Políticas e Sociais de Alexandre Herculano; e de António José Saraiva: Herculano, desconhecido. Para já não falar, entre outros, dos ensaios inesquecíveis de António Sérgio e de Vitorino Nemésio.
A Academia das Ciências - e o seu presidente, Adriano Moreira - está de parabéns por ter organizado um colóquio, que teve intervenções notáveis, sobre Alexandre Herculano e a sua obra, no ano do duplo centenário do seu nascimento. Não podia ser esquecido. A Pátria e a República devem celebrar os seus grandes homens.
Fonte: DN
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
BICENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE HERCULANO COMEMORADO PELA ACADEMIA DAS CIÊNCIAS
Durante a manhã, depois de um discurso de abertura do Presidente da ACL, Prof. Doutor Adriano Moreira, haverá conferências a cargo dos académicos Luís Oliveira Ramos (“Herculano e os grandes movimentos políticos coevos”), Maria Helena da Cruz Coelho (“Herculano e os Portugaliae Monumenta Historica”) e Artur Anselmo (“Herculano polemista”).
À tarde, usam da palavra os académicos Humberto Baquero Moreno, António Dias Farinha e Raul Rosado Fernandes, que dissertarão sobre, respectivamente, “Herculano historiador”, “Herculano e os árabes” e “Herculano lavrador”.
Fonte: ACL
terça-feira, 12 de outubro de 2010
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Poema
Como um Catão moderno, austero e rude,
a ninguém perdoaste uma só falta,
porquanto foste um caso de virtude
e de moralidade sempre em alta!
Ouvia-te o país desgovernado
com reverência e a máxima atenção,
buscando em ti, no teu pendor honrado,
para o seu descalabro a solução.
De estilo vigoroso e justiceiro,
tanto na prosa como em poesia,
do romantismo foste um pioneiro.
Ante a tua memória me descubro
com minha inalterável simpatia
e meu patriotismo posto ao rubro!
João de Castro Nunes
Fonte: HistPort
domingo, 26 de setembro de 2010
Próximos eventos
Dia 4 de Outubro
HERCULANO – DOIS SÉCULOS DE MUTUALISMO
(Auditório do Montepio – Rua do Ouro) – 18H
António Valdemar, Guilherme de Oliveira Martins, Vítor Melícias
Dia 12 de Outubro
HERCULANO MAÇON
(Grémio Lusitano – Bairro Alto) - 18H30
João Alves Dias
Dia 19 de Outubro
HERCULANO NA LITERATURA PORTUGUESA E A DIMENSÃO
ÉTICA DO ESCRITOR
(Centro Nacional de Cultura – Chiado) – 18H30
José Manuel Mendes
Dia 26 de Outubro
A CONSCIÊNCIA POLÍTICA DE ALEXANDRE HERCULANO
E O SEU CONTRIBUTO PARA A CIDADANIA
(Café Martinho da Arcada – Praça do Comércio) – 19H30
Diogo Freitas do Amaral, Eduardo Lourenço e Guilherme de Oliveira Martins
Moderadores: António Valdemar, José Manuel Mendes, Luís Machado
Fonte:
CNC
Homenagem a Alexandre Herculano

Há cem anos, foi assim em Leiria:
«O dia 27 [de Abril] deve considerar-se memoravel nos registos festivos d’esta cidade, pelo esplendor, pela animação e, sobretudo, pela elevada significação civica e patriotica das festividades promovidas pela benemerita Filial da Liga Nacional de Instrucção de Leiria em consagração do renome do grande escriptor, profundo historiador e devotadissimo português que em vida se chamou Alexandre Herculano.
Pode orgulhar-se a nossa bella cidade de ter contribuido brilhantemente para a apotheose da majestosa individualidade do poetta da “Harpa do Crente”, para essa nobilitante glorificação nacional que acaba de se celebrar em todo o país como testemunho de culto fervoroso á memoria do ardente defensor da liberdade, que foi também o português mais illustre do seculo XIX» (Jornal “O Districto de Leiria”, 30 de Abril de 1910).
Comemorava-se então o primeiro centenário do nascimento de Alexandre Herculano e Portugal devotou ao seu brilhante historiador amplas emocionantes homenagens.
Leiria não se deixou ficar para trás e dedicou a Alexandre Herculano um dos mais grandiosos festejos que nesse ano se realizaram a nível nacional.
Lançou e dirigiu a iniciativa a delegação de Leiria da Liga Nacional de Instrução. Um «Cortejo Cívico» percorreu a cidade, a partir da Praça Rodrigues Lobo, composto de dez carros alegóricos, três bandas filarmónicas, alunos de quase todas as escolas públicas e privadas do concelho, as principais associações, os bombeiros, a polícia e os corpos militares. Descerrou-se uma placa na parede do já demolido Teatro Maria Pia, projectada por Ernesto Korrodi, no Largo do Espírito Santo que se passou a chamar Largo Alexandre Herculano, num acto público em que intervieram o Governador Civil e o Presidente da Câmara. No salão e corredores do teatro foi oferecido um lanche a um milhar de crianças acompanhadas pelos seus professores. À noite, no mesmo teatro houve uma Sessão Solene. No palco estava um trono com quatrocentas crianças e um busto de Alexandre Herculano que será o mesmo que actualmente se conserva no Arquivo Distrital de Leiria. Fizeram-se comovidos e corajosos discursos de enaltecimento da figura de Alexandre Herculano e de elogio ao seu civismo e aos seus ideais de liberdade. A sessão terminou com um sarau abrilhantado pela banda militar e pelo orfeão infantil. No dia seguinte, no Liceu, realizou-se outra sessão solene. No palco estava um monumento desenhado por Ernesto Korrodi que se compunha de um medalhão em baixo-relevo com a figura de Alexandre Herculano e um obelisco em bronze que se elevava quase até ao tecto. Na mesa de honra estava o reitor do Liceu, o Director da Escola Normal e o Governador Civil. Houve discursos e palestras, uma das quais proferida pelo Dr. Correia Mateus, professor de História e presidente da câmara.
Cem anos depois, noutro ambiente cultural e num contexto histórico bem diferente do de 1910, Leiria também não esqueceu Alexandre Herculano, mesmo que o 2.º centenário do seu nascimento tenha sido quase geralmente olvidado e obnubilado pelo centenário da implantação da república.
Sexta-feira, dia 17 de Setembro, pelas 18 horas, o Centro de Património da Estremadura e o Arquivo Distrital realizam um colóquio evocativo de Alexandre Herculano.
Presidido pelo Dr. Guilherme de Oliveira Martins, permitirá abordar, em termos puramente historiográficos, as múltiplas facetas e actividades de Alexandre Herculano (historiador, paleógrafo, bibliotecário, poeta, romancista, contista, jornalista, político, agricultor).
O evento decorre no edifício do Arquivo Distrital de Leiria e é aberto a todos os interessados. Esperemos que em 2010 a população de Leiria não esqueça Alexandre Herculano e que depois do colóquio a cidade e o seu município levem mais longe o seu preito de homenagem ao ilustre escritor e insigne cidadão, um dos maiores que esta Pátria gerou. Uma das ideias possíveis pode ser a colocação de um busto em bronze no largo que tem o seu nome. A antiga placa desenhada por Ernesto Korrodi aguarda um lugar mais digno do que o chão do castelo onde agora repousa, abandonada…
Diário de Leiria
17 de Setembro de 2010
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Alexandre Herculano e Coimbra

Coimbra perpetuou Alexandre Herculano de Carvalho Araújo na toponímia citadina, colocando o seu nome numa das artérias mais frequentadas da Alta, rua que liga a Praça João Paulo II à Praça da República. A homenagem foi-lhe prestada em 17 de Março de 1889, quando se inauguraram diversos arruamentos da Quinta de Santa Cruz, construídos após expropriações de casas e terraplanagem dos terrenos que tinham sido propriedade dos Crúzios. Mas, em 23 de Maio de 1878, a Faculdade de Direito, com quem Alexandre Herculano mantinha as melhores relações, tinha-lhe prestado, já, homenagem. O elogio histórico escrito pelo Lente Vicente Ferrer foi proferido no Instituto de Coimbra. Posteriormente, em 14 de Abril de 1910, ano do centenário do seu nascimento, nova homenagem com o descerramento de uma lápide de mármore e discurso do presidente da Câmara, Dr. Marnoco e Sousa. E, depois, outras.
Aquelas homenagens pretenderam testemunhar a gratidão de Coimbra à figura incontornável da História de Portugal, àquele que foi também romancista, poeta e um dos introdutores do romantismo português, a par de jornalista, de novelista, de presidente do Município de Belém e de Deputado da Nação, que foi pioneiro na defesa do património cultural da cidade e do país perante o vandalismo, roubo e venda dos mais diferentes e valiosos bens dos mosteiros e colégios religiosos, por oportunistas de diferente proveniência.
Quando o Mosteiro de Santa Cruz, delapidado de grande parte do seu património (Herculano salvou muito), foi notícia (triste) de que o Governo o pretendia entregar ao município para ser demolido e convertido numa praça pública, Herculano não deixou de estigmatizar a ideia, escrevendo: “o edifício dev(e)ia dar lugar a um terreiro amplo, bem amplo, onde a vadiagem possa estirar-se regaladamente ao sol”. Uma denúncia irónica do activo liberal (Opúsculos II, p.28).
E, mais tarde, ao fazer a evocação do valor da Sé Velha face à degradação e abandono da Catedral de Santa Maria redigiu, no início do seu célebre conto “O Bispo Negro”, pertinentes e angustiadas palavras que aludem ao seu lendário passado, ao tempo da sua juventude e às suas pedras douradas: “Houve tempo em que a velha catedral conimbricense, hoje abandonada dos seus bispos, era formosa; houve tempo em que essas pedras, ora tisnadas pelos anos, eram ainda pálidas, como as margens areentas do Mondego. Então, o luar, batendo nos lanços dos seus muros, dava um reflexo de luz suavíssima, mais rica de saudade que os próprios raios daquele planeta guardador dos segredos de tantas almas…” (O Bispo Negro, 1130, in Obras Completas, Lendas e Narrativas, 2ª.ed., tomo II, Lisboa, Bertrand, 1974, p.79).
Passam duzentos anos sobre a data do seu nascimento. Coimbra, que tanto exaltou o historiador, desde 1878, não poderá ficar indiferente, nesta efeméride. Pensamos, ser de toda a justiça, que quer a Universidade, a Câmara ou outra instituição devam tributar-lhe, mesmo singelamente, um momento de homenagem. Coimbra que tem homenageado, desde sempre, figuras de prestígio nacional e internacional, com certeza e na nossa opinião de cidadão e conimbricense, não deixará olvidar o bicentenário.
A vida de Alexandre Herculano cimentou-se numa intensa actividade histórica e literária sustentada na integridade do seu carácter, na coerência do pensar e agir, tendo sido um pensador profundo, uma personalidade completa que usou uma paciência beneditina na investigação. Penetrante agudeza da crítica histórica, com imaginação efabuladora de romancista e dramaturgo, pugnou, sempre, pela instrução das pessoas, ou seja, insistia com toda a razão, que um Povo sem instrução não pode desenvolver a Nação e tomar decisões para o seu progresso e bem-estar.
Mário Nunes
17 de Setembro de 2010
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Colecção de Alexandre Herculano na BNP

Esta decisão - que também se reveste de carácter simbólico - permite concentrar numa mesma colecção a maioria da documentação esparsa que a BNP foi adquirindo ao longo de mais de um século e que se encontrava dispersa por diversas colecções da sua Divisão de Reservados.
De Alexandre Herculano de Carvalho Araújo, o ACPC integrava já, na sua colecção de manuscritos – em que se reúnem documentos avulsos adquiridos consoante as oportunidades, designadamente as proporcionadas pelo mercado livreiro – um conjunto epistolar em que Herculano ora é emissor ora destinatário, salientando-se, entre os seus correspondentes, Silva Leal, Francisco Freire de Carvalho, Rodrigo José de Lima Felner, Rodrigo Vicente de Almeida, Manuel de Portugal e Castro, Francisco Joaquim Maia, seu amigo político, bem a sua editora, a Casa Bertrand.
Foram integrados na Colecção de Alexandre Herculano 23 manuscritos avulsos, quase todos autógrafos, provenientes da Área de Manuscritos, nomeadamente correspondência, documentos particulares e de função e manuscritos literários como Scenas de um ano da minha vida: poesia e meditação [ca 1832]. Por razões que se prendem com o respeito pela proveniência e com a manutenção da integridade das colecções já existentes, a documentação respeitante a Herculano manter-se-á nos códices factícios organizados por José António Moniz, em finais do século XIX, e no Arquivo de João José de Mendonça Cortez (1836-1912), político, historiado e colaborador do autor de História da origem e estabelecimento da Inquisição em Portugal.
A Colecção de Alexandre Herculano passa, pois, a reunir 59 documentos, dos quais 36, incluindo as aquisições recentes (2008-2009), que se encontravam na sector de manuscritos avulsos do ACPC e 23 na Área de Manuscritos.
A BNP apresentará, até final do ano, um sítio Web dedicado a Alexandre Herculano que reunirá não só todos os manuscritos integrados na Divisão de Reservados, independentemente das colecções a que pertençam, como documentação existente na Biblioteca da Ajuda, de que o historiador foi director por um longo período a convite do rei D. Fernando II. Acresce que a obra impressa, bem como a iconografia existente nas colecções da BNP, parte substancial das quais já se encontram disponíveis na Biblioteca Nacional Digital (BND) serão, igualmente, integradas no referido sítio Web do portal da BNP.
Fonte:
BNP
domingo, 27 de junho de 2010
Duplo centenário de Alexandre Herculano celebrado com palestras e conferências em Lisboa
Publicado em 27 de Junho de 2010
A Associação Portuguesa de Escritores (APE) propõe um percurso de conferências e palestras pelos espaços da Lisboa do século XIX, de Julho a Outubro, para celebrar os 200 anos do nascimento de Alexandre Herculano.
“A ideia é mostrar facetas menos conhecidas de Herculano, como o facto de ter sido um dos fundadores da primeira Caixa Económica Portuguesa ou ter sido maçon. Escolhemos espaços entre o Bairro Alto e a Praça do Comércio, um eixo que constituía o centro no século XIX e que Alexandre Herculano percorria. Ele era por exemplo, um dos clientes do Café Martinho da Arcada”, disse à Lusa Luís Machado, coordenador do projeto.
As palestras começam dia 06 no Arco da Rua Augusta, onde o Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summaville, e o presidente da Academia Nacional de Belas Artes, António Valdemar, irão falar de "Herculano: Identidade e Defesa do Património", seguindo-se um jantar com uma ementa oitocentista.
A faceta maçónica e a de mutualista de Herculano serão abordadas, respetivamente pelo historiador João Alves Dias, no Palácio do Grande Oriente Lusitano, no Bairro Alto, no dia 12 de outubro, e pelo padre Vítor Melícias, no dia 04 de outubro, no auditório do Montepio, na rua do Ouro.
Outra faceta abordada será a de “grande escritor e político e cidadão interventivo”, referiu Luís Machado.
“Não podemos esquecer que, juntamente com Almeida Garrett, é um dos introdutores do romantismo em Portugal”, acrescentou.
O presidente da APE, José Manuel Mendes falará do escritor e da sua ética, enquanto uma mesa redonda constituída por Diogo Freitas do Amaral, Eduardo Lourenço e Guilherme d’Oliveira Martins abordarão “o cidadão íntegro que lutou pela liberdade”.
O duplo centenário de Herculano, nascido em 28 de março de 1810, em Lisboa, foi já celebrado com uma cerimónia evocativa pela Associação Portuguesa de Municípios com Centro Histórico e pelo grupo "Mais Saramago" na Quinta de Vale de Lobos, em Santarém, em Março passado.
Também em Março, no dia 28 o Grémio Literário colocou uma coroa de flores junto ao túmulo do historiador, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.
Assistiram à cerimónia a ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas, e o Secretário de Estado Elísio Summavielle.
Herculano foi presidente da Câmara Municipal de Belém (1854-1855), juntamente com Almeida Garrett e Rodrigo da Fonseca, fundou em 1846 o Grémio Literário.
A Biblioteca Nacional organizará de 12 de julho a 30 de setembro, no Campo Grande, Lisboa, uma exposição comemorativa do autor de "Eurico, o presbítero", que incluirá correspondência, manuscritos que integram o seu espólio várias obras.
Esta mostra será apresentada também na Biblioteca da Ajuda, também em Lisboa, da qual Herculano foi director.
Alexandre Herculano nasceu em Lisboa a 28 de Março de 1810, tendo falecido na sua quinta de Vale de Lobo, na Azóia de Baixo (Santarém), a 13 de setembro de 1877.
Publicou vários títulos em diferentes domínios como a poesia, teatro, romance histórico e ensaio histórico.
É autor de uma História de Portugal, desde as origens até ao reinado de D. Afonso III e de "História das origens e estabelecimento da Inquisição em Portugal", além da edição de um conjunto de documentos, a "Portugaliae Monumenta Historica".
Fonte
** Este texto foi inicialmente escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico e posteriormente corrigido para Português decente por Mário Rodrigues ***
segunda-feira, 14 de junho de 2010
BNP adquire dois manuscritos de Alexandre Herculano
Literatura
por Lusa
14 Julho 2010

A Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) adquiriu uma carta e uma declaração manuscritas do escritor e historiador Alexandre Herculano, dirigidas aos editores e livreiros Bertrand, informa a instituição numa nota enviada à Lusa.
Os dois documentos serão incorporados no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea (ACPC) da BNP.
'Os originais agora obtidos pela BNP tratam da cedência de direitos autorais deste antigo director das bibliotecas Reais da Ajuda e das Necessidades, entre 1829 e 1867, devido à influência de D. Fernando II, Rei consorte, que muito apreciava a sua craveira intelectual, ao seu editor, no início do ano de 1860', segundo o mesmo documento.
'Na carta enviada a Bertrand - lê-se na mesma nota -, está patente o excelente relacionamento com o proprietário da livraria que acolhia uma tertúlia literária composta por outros divulgadores do romantismo cultural e literário e em que pontificava Herculano'.
Este ano celebra-se o bicentenário do nascimento de Alexandre Herculano (1810-1877), tendo a BNP adiado para 2011 uma exposição sobre o escritor e historiador que foi também presidente da Câmara de Belém (Lisboa).
A exposição comemorativa sobre o autor do romance 'Eurico, o presbítero' deveria inaugurar esta semana, mas 'a morte inesperada de José Saramago impôs-se a ela', já que está patente até Setembro nos espaços da Biblioteca uma mostra evocativa do Nobel da Literatura.
A partir de Setembro estará também patente uma exposição sobre os mais antigos jornais republicanos, pelo que a mostra dedicada a Alexandre Herculano, que inclui correspondência e manuscritos, foi adiada para 2011.
'Já em 1910, as comemorações do centenário do nascimento de Alexandre Herculano tinham sido prejudicadas por causa da luta política que estava no auge', recordou à Lusa o director da BNP, Jorge Couto.
Na nota hoje divulgada refere a BNP que o autor de 'Lendas e narrativas' sistematicamente recusou 'prebendas e honrarias tão reclamadas por outros vencedores da guerra civil [1828-1834]'.
'Um dos 7500 'bravos do Mindelo', combatente [liberal] ao lado de D. Pedro IV durante a sangrenta guerra civil, o entusiasmo de Herculano com a morigeração dos costumes nacionais foi esmorecendo', lê-se na mesma nota.
'Deputado em várias legislaturas, a sua progressiva desilusão com a implantação do liberalismo conduziu-o a um outro tipo de exílio voluntário, refugiando-se numa quinta em Vale de Lobos, perto de Santarém', refere o documento.
Na nota divulgada hoje, a BNP salienta ainda que além de 'poeta e romancista consagrado, [Herculano] distinguiu-se ainda como bibliotecário, e como impulsionador de projectos editoriais de grande qualidade, designadamente da revista 'O Panorama''.
A maior parte do espólio do historiador e escritor encontra-se na Biblioteca Pública Municipal do Porto, que ajudou a fundar e onde exerceu funções desde o regresso do exílio (1833) até à Revolução de Setembro (1836).
Alexandre Herculano envolveu-se na polémica acerca da 'propriedade literária', tendo escrito 'vários textos acerca da matéria que actualmente designamos por direitos de autor'.
Fonte
14 de Julho de 2010




